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Não é prisão que pode acabar Bolsonaro e bolsonarismo

Capitão conseguiu desreprimir o inconsciente pessoal de indivíduos reacionários e crentes que a única liberdade que interessa é a deles mesmos. Não sairão de cena assim por ação judicial vinda de quem até bem pouco tempo também atentou contra a democracia.
Quem faz | O vídeo exibido pelo STF — onde Jair Bolsonaro trama golpe para permanecer na presidência a qualquer custo — deixou muita gente ainda mais ansiosa por sua imediata prisão. Há manifestos de sobra nas redes sociais e grande mídia em torno disso. Não sem razão. Pelo que trouxe de malefícios à maioria do povo, é natural que milhões de brasileiros queiram vê-lo na cadeia. Mas restrição de liberdade pode acabar politicamente com Bolsonaro e o bolsonarismo? Creio que a coisa é mais complexa.
É preciso, em minha opinião, que se reflita melhor sobre o que levou Jair Bolsonaro à presidência, e por que centenas de milhares ainda o seguem. E aí não basta apenas dizer que foi porque fizeram uma monstruosa fraude para depor a presidenta Dilma e, ato contínuo, prender Lula injustamente. Embora isto seja verdadeiro, apenas incautos podem concluir que o capitão só chegou aonde chegou por causa dessas duas realidades. Ou muito menos é razoável acreditar que encarceramento, por si só, resultará no seu fim político e dispersão dos que o seguem.
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Queira-se e entenda-se ou não, o fato é que Jair Bolsonaro continua a ter a seu favor uma arma não tão fácil de derrotar, porque está muito bem cimentada na questão ideológica: a unidade de pensamento com milhões de indivíduos reacionários, intolerantes e crentes que a única liberdade que interessa é a deles mesmos, porque esta seria o suprassumo da honestidade, patriotismo e aprovação pelo Altíssimo, entre outras fantasias e neuroses mentais.
O capitão conseguiu, na prática, desreprimir de forma massiva o inconsciente pessoal — obtuso e preconceituoso — dos que não gostam de trabalhador, pobre, gay, preto, direitos das empregadas domésticas, mulheres e por aí vai... E, mais que isso: deu voz a eles, incentivou-os a falar o que antes tinham vergonha de pronunciar ou fazer. Assim, tornou-se a principal voz dessa gente.
Não me parece então, portanto, que Bolsonaro e sua enorme trupe sairão de cena apenas por causa de ações judiciais vindas de quem até bem pouco tempo também atentou contra a democracia. Não custa relembrar: Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e outros e outras de mesmo pedigree na Suprema Corte foram peças-chave nos processos criminosos que culminaram no golpe contra a presidenta Dilma, prisão de Lula e na própria ascensão de Bolsonaro e bolsonarismo.
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Bolsonaro então não deveria ser preso? Se o processo for bem conduzido e, de fato, se confirmar o que já está muito evidente quanto a crimes cometidos pelo capitão, sim. No entanto, a menor lacuna nos procedimentos jurídicos permitirá que se pinte como um injustiçado. Neste caso, cadeia pode torná-lo ainda mais idolatrado pela maioria dos seus já fanáticos apoiadores.
Em meio a tudo isso, é preciso considerar também que Lula já derrotou Bolsonaro nas eleições de 2022. Em tal processo, como se sabe, o "mito" usou e abusou da tinta de sua caneta Bic para tentar comprar votos através da liberação de dinheiro público. Mesmo assim, perdeu, pois a maioria do povo ainda tinha na memória os avanços sociais da era lulopetista.
Deste modo e por fim, independentemente de se eventual prisão do ex-presidente for feita de forma correta ou não, o que fará com que politicamente suma do mapa é o rumo que o atual governo Lula der ao país. Uma política econômica que intensifique os programas sociais, distribua de forma mais justa as riquezas, e um olhar mais atento aos reclamos que forem justos da classe média, isto sim poderá enterrar o monstrengo político de vez. Não é meramente uma prisão que pode acabar Bolsonaro e o bolsonarismo, em minha opinião.
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João R P Landim Nt
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