Governo não dialoga com os professores, diz docente
Paulo Sérgio Santos Rocha sustenta que os educadores do PI sofrem arrocho salarial desde 2019, sem que o governador Rafael Fonteles (PT) se disponha a dialogar com a categoria.
Piso do Magistério | Em novo artigo ao Dever de Classe, o renomado professor da Rede Estadual do Piauí e do município de Teresina — Paulo Sérgio Santos Rocha — renova criticas ao governador Rafael Fonteles (PT). Sustenta o docente que Fonteles se nega a dialogar com os educadores da rede estadual piauiense.
Leia também: Piauí pode entrar em greve pelo reajuste do magistério
Confira a íntegra do artigo, após o anúncio.
O governo do Piauí não dialoga com os professores
O governo do Piauí anunciou diversas ações e projetos na área de educação. No entanto, os professores, peças fundamentais para o sucesso dessas iniciativas, não são chamados para participar. Dificilmente os resultados educacionais das medidas anunciadas serão satisfatórios.
Dentre as ações anunciadas por Rafael Fonteles (PT) estão a criação de 104 escolas de tempo integral e, até 2025, a transformação de todas as escolas da rede estadual nessa modalidade de ensino. Fonteles (PT) anunciou também o Seduc Olímpica, Acelera Seduc, Recomposição da Aprendizagem, #Oportunidade Jovem, Pacto pela Educação, Seduc Tec, Projeto Justiça Restaurativa etc.
Em relação às escolas de tempo integral, o estado não criará nenhuma nova escola, passará uma camada de cal nas paredes, uma reforma de fachada e diz que é integral, só que, o que há é uma ampliação da carga horária das disciplinas de formação básica, trilhas da aprendizagem e eletivas, mas as escolas de tempo integral têm que oferecer um desenvolvimento dos sujeitos em todas as suas dimensões – intelectual, física, emocional, social e cultural, com atividades lúdicas como música, teatro, dança, jogos etc.
De acordo com a meta 06 do Plano Nacional de Educação, os estados devem oferecer, no mínimo 50% jornadas diárias de sete horas ou mais até 2024. É uma proposta ousada do governo do Piauí que trará problemas para os alunos e professores, muitos estudantes são de famílias carentes e precisam ajudar os pais em casa ou até mesmo o mercado de trabalho. Já quanto aos docentes, muitos trabalham em outras redes de ensino, colégios particulares e não teriam como passar o dia inteiro na escola.
O Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado deveriam, não ser contra a criação das escolas de tempo integral, mas só permitir que sejam criadas escolas com as condições mínimas de funcionamento, afinal de contas, escolas não deveriam ser depósitos de crianças e adolescentes.
Os professores do Piauí estão desde 2019 sofrendo um tremendo arrojo salarial, e o governo não concede o reajuste do piso salarial de acordo com a lei. Para o ano de 2023, o reajuste do piso foi de 14,95%, passando de R$ 3845, 63 para R$ 4 420, 00. No entanto, o governo apenas complementou para quem recebe abaixo do piso, quem recebe acima do piso não teve nenhum aumento deixando de fora os professores com especialização, mestrado e doutorado, justamente os docentes que mais estudaram. O governador Rafael Fonteles anunciou o pagamento do abono do Fundeb, por exemplo, o professor SL 40 horas receberá 3 parcelas quadrimestrais de R$ 800, 00 totalizando R$ 2 400, 00, uma redução de 80% em relação ao que foi pago no ano passado, o valor de R$ 11 000, 00.
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Piauí, o Sinte, é contra essa política de bonificação, por que, não incide férias, décimo terceiro, não contempla os aposentados. E como o governo se mostra intransigente em relação a essa pauta, o Sinte fará uma assembleia em julho para decidir uma greve a partir de agosto.
São tantos projetos e ações anunciados, todavia, nunca o governo convidou o sindicato para discutir a implementação dessas ações, os docentes são descartados pela gestão estadual. O governo precisa entender que, os professores que estão em sala de aula são os mais aptos a apresentar sugestões, tem experiência, e com certeza contribuiriam para o sucesso dessas ações.
Logo,
espera-se que o governo mude a sua postura com os educadores, melhore a
infraestrutura das escolas, conceda o reajuste devido e deixe de somente fazer
propaganda, é necessário que a educação seja tratada com seriedade e que os
órgãos de controle não sejam coniventes. Só assim, a educação alcançará um
patamar de qualidade satisfatória.
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